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	<description>Quando eu descobrir a função, eu digo...</description>
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		<title>Aves de arribação &#8211;  Antônio Sales</title>
		<link>http://damarisresende.wordpress.com/2009/02/16/aves-de-arribacao-antonio-sales/</link>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 16:05:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>dama0404</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Sales]]></category>
		<category><![CDATA[Aves de Arribação]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns trechos do livro Aves de arribação de Antônio Sales. Não que eu concorde com todos, apenas me chamaram a atenção.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=damarisresende.wordpress.com&amp;blog=6604445&amp;post=7&amp;subd=damarisresende&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span><a title="aves de arribação - antonio sales" href="http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/a/aves_de_arribacao" target="_blank"><img class="alignleft size-full wp-image-8" title="aves-de-arribacao-antonio-sales" src="http://damarisresende.files.wordpress.com/2009/02/aves-de-arribacao-antonio-sales.jpg?w=450" alt="aves-de-arribacao-antonio-sales"   /></a></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span>Capítulo 1</span></p>
<p><span>&#8220;Ele pratica em seu eu a mutilação da consciência, &#8230;&#8221;</span><br />
<span>&#8220;&#8230;, manchas de ricos são enfeites, &#8230;&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 2<br />
</span></p>
<p><span>&#8220;&#8230; fora daquelas tristes paredes onde enjaulavam a sua jovem carne dolorosa.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 3</span></p>
<p><span>&#8220;Isso de começar em meio modesto para transportar-se depois aos grandes centros era um processo bom para os timoratos e medíocres. As águias começam a voar do alto das montanhas.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;&#8211; Tinha graça se eu fosse enrabichar-me por aquela matutinha! É </span><span style="font-style:italic;">chic</span><span> o diabinho! Boa pele, lindos olhos, bons dentes e uma boca! Corpo delicioso! Um bocado de rei, caramba! E nada estúpida; com alguns meses de regime mundano dava uma mulherzinha muito apresentável. Acerca de dinheiro e família, temos conversado. Excelente para encher os ócios de um exilado; mas quanto a casamento, livra! Fora a pieguice! Preciso de mulher que tenha chelpa e pai alcaide. Casamento de amor já não se usa. O idiota que cair ali terá que, mais dias menos dias, agüentar com o peso daquele exército de crianças de nomes arrevesados. Isso de casar com matutas é bom para o pobre do Gomes da Costa, que tem os pulmões tão fracos como o espírito. O pobre-diabo só fala em bois, veste calça branca com fraque preto e está perdendo as noções do alfabeto. E olhem que deixou um nome na Faculdade! Enfim, como a mulher é rica e ele tísico(&#8230;)&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 5</span></p>
<p><span>&#8220;Nada existia de comum entre os dois senão essa sentimentalidade artificial que nasce de enxerto no espírito e só produz flores híbridas, incapazes de simbolizar o afeto humano em sua formosa simplicidade. Eram dois atores &#8230;, em plena vida real, no cenário &#8230; de um passatempo sem conseqüência.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 7</span></p>
<p><span>&#8220;Os homens engraçados nunca são muito felizes em amores porque sua índole brincalhona prejudica as afeições profundas. Às vezes mais ganha quem faz chorar do que quem faz rir.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 8</span></p>
<p><span>&#8220;O &#8211; amo-te &#8211; requer a afonia ciciante dos segredos, devendo a distância da boca ou ouvido ser tão curta que as palavras parecem suspiros articulados.&#8221;</span></p>
<p><span>&#8220;&#8230; na sua admiração pelos fortes, precocemente procurou tornar-se invulnerável às pieguices da vida.&#8221;</span></p>
<p><span>&#8220;-&#8230; O ser tem três pavimentos &#8211; cabeça, coração e carne. &#8211; A arte de ser forte consiste em tornar interdito o pavimento médio e transformar os seus habitantes &#8211; os sentimentos &#8211; em puras entidades cerebrais, como as idéias, as ambições, os raciocínios. O pavimento inferior é, por sua natureza, o mais exposto às influências da baixa camada da vida, camada que é feita de animalidades. Vocês, sentimentais, não se governam absolutamente pela cabeça: fazem da poesia e do instinto um misto a que dão o nome de amor, com exclusão da pura função genésica, sem ilusão, sem compaixão, sem responsabilidade moral. Nós outros, os cerebrais, damos ao coração a mínima importância possível e repelimos toda a identificação dele com o instinto que governamos à vontade como animais inteligentes que somos. Napoleão, por ser um general de gênio, nunca deixou de ser um homem, mas nem por isso mulher alguma conseguiu atrapalhar a sua carreira, como aconteceu com Marco Antônio.</span><br />
<span>- Então &#8230; a mulher é um instrumento de prazer.</span><br />
<span>- Não, é um animal como o homem: o nosso comércio é uma troca de sensações; nenhum fica a dever nada um ao outro por isso. Se ela é fraca, nós não temos nada com isso; faça-se forte, torne-se nossa igual, mas não nos venha entibiar o ânimo com a sua perniciosa sentimentalidade.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 9</span></p>
<p><span>&#8220;Egoísmo, ceticismo e audácia, tais são os três ângulos sobre os quais a inteligência se levanta para apoderar-se da massa fetichista da turba ignara.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;Estava com uma como saudade de seus olhos cândidos, de seu rostozinho rosado, infantil ainda, e onde seria divinamente grato colher um beijo, sem malícia, naturalmente, como se colhe de passagem o fruto de uma planta criada por Deus para regalo dos homens. Por que haviam estes de torturar a si mesmos, arquitetando essa moral opressora e mesquinha, tão contrária aos instintos, tão incompatível com as leis naturais que regem a missão natural da espécie?&#8221;</span><br />
<span>&#8220;Em substância um amante amado é mais legítimo do que um marido que se tolera para ter uma posição respeitável na sociedade.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;Nessa noite foi para a casa de Bilinha numa excitação que reclamava sensações fortes, expansões brutais e implacáveis.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 10</span></p>
<p><span>&#8220;Que diabo! há tanto meio de gozar sem responsabilidades e sem conseqüências!&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 12</span></p>
<p><span>&#8220;A imaginação de Florzinha voava penosamente, produzindo uma dor em cada surto das asas que uma farsa fizera sangrar.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 13</span></p>
<p><span>&#8220;&#8230; como se um corpo em fúria de amor palpitasse insaciado por baixo daquela túnica translúcida.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 15</span></p>
<p><span>&#8220;O que nós precisávamos era de um ditador inteligente por dez anos.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 17</span></p>
<p><span>&#8220;&#8230; evitando descer ao âmago do sentimento, onde a dor latente latejava, pronta a sangrar ao primeiro contato da realidade.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;Os seus soluços valiam por juramentos de um pacto de vida e morte, contra o qual nada pode uma vontade estranha.&#8221;</span></p>
<p><span>Capítulo 18</span></p>
<p><span>&#8220;Para o nosso egoísmo, a dor própria é a única que nos interessa, e, fora dela, todas as outras se amesquinham, se diluem, tornando-nos surdos aos reclamos da solidariedade humana. Mendigo não dá esmola a mendigo.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;Há sempre no homem uma persistência sensível dos traços morais da infância; na mulher, porém, esses traços, como as folhas iniciais das plantas cotiledôneas, nada deixam antever do que será a individualidade futura, e mesmo os progenitores e pessoas íntimas experimentam grandes surpresas verificando a profunda transformação moral por que passa uma menina que se faz mulher.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;&#8230; expondo-a sem véu aos olhos sem venda.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;&#8230;leira arroteada, tépida e úmida, sucessivamente aquecida pelo sol da esperança e rorejada das lágrimas condensadas no cérebro, como vapores que subissem da efervescência do sangue.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;A princípio lhe era indiferente e até preferível que ele não voltasse; mas agora o seu amor próprio, a sua carne desejavam o contrário.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;O coração das virgens morre sem testamento, porque morrem com ele todos os seus dons e graças.&#8221;</span><br />
<span>&#8220;E ela ficara ali, no fundo daquele triste lar povoado dos espectros dos seus sonhos, para ser um dia conduzida, mutilada d&#8217;alma, inútil para a vida, à cela fria de um claustro como uma inválida do amor&#8230;&#8221;</span></p>
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